Aceito a ambição e o orgulho de quem faz [bom] cinema. É justo, é legítimo. Cinema pode ser mais ou menos elitista, mais ou menos abrangente, mais ou menos pensado, mais ou menos leve. Cinema é arte mas também entretenimento. Mas tal como não pode ser confundido com o circo também não deve ser entendido como uma simples peça de museu. Nem veículo de mera promoção individual. Cinema é feito por pessoas e para as pessoas. Por isso, toda a minha simpatia vai para estes senhores na cerimónia dos Oscar. Eles representam várias vertentes do cinema. Entre elas, a razão, a emoção, a beleza e a história. Um cumprimento muito especial para a fantástica Helen Hunt em «Seis Sessões», muito graças a si um filme difícil mas extraordinariamente comovente.
Mostrar mensagens com a etiqueta *Falar de Cinema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta *Falar de Cinema. Mostrar todas as mensagens
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
É tudo política, pá!
Foda-se, diriam vocês, e eu reservo-me ao direito de concordar convosco. Cinema é vida, é emoção, é sentimento. E escrever sobre cinema é colocar no Word, numa folha de papel ou em meras palavras faladas toda a nossa individualidade, a infância terrível que tivemos, a adolescência insana ou outra merda qualquer que fez de nós aquilo que somos e como pensamos e sentimos. Agora, escrever sobre cinema contando erros, descontando um pontinho aqui e outro ali porque de facto o livro não diz nada do que o realizador projectou, porque o copo era azul e passou a branco, fazendo crítica aplicando uma mal amanhada fórmula ou método científico, ou objectividade matemática ou outra porra qualquer, isso não. Se não tiverem mais nada para fazer façam como eu e vão ver o Tom Cruise a combater numa Guerra Fria requentada algures no Dubai, em «Missão Impossível: Operação Fantasma». E se tiverem sorte, como eu tive, recuperarão forças num sono retemperador enquanto Tom Cruise aos cinquenta anos escala arranha-céus como se tivesse acabado de fazer vinte num planeta qualquer onde os humanos têm poderes especiais.
[Cartaz do filme «Missão Impossível: Operação Fantasma»]
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Os filmes de 2011
Os Dez Mais do Ano
Houve muitos e bons filmes em 2011. Para além destes houve outros e entre todos há sempre os que nos tocam particularmente. Daí que no ano que agora acaba, os que abaixo se destaca foram os filmes que mais e melhor me fizeram sentir que o cinema é de facto uma das mais fantásticas formas de arte que o homem criou. Em minha defesa, fica a convicção pessoal de que hoje penso assim mas amanhã poderei pensar de forma diferente. Não por incoerência, mas porque o passar do tempo, a vida, nos vai esculpindo na forma de sentirmos, pensarmos, de sermos.
Em 2011 houve igualmente lugar para as decepções. À cabeça, pela sua irritante descrença no ser humano e porque fazer cinema não é a única forma de psicanálise que existe, «Melancolia», de Lars Von Trier. E por insistir na podridão e no choque sem que se vislumbre intervenção construtiva nos seus filmes, bem de perto, a morder-lhe os calcanhares, «Biutiful», de Alejandro González Iñárritu.
1.
«Cisne Negro»
De «Cisne Negro» ficou-nos o fascínio por um filme extraordinário e uma sentida admiração pelo trabalho de uma actriz. E isto por mais obscura que seja a história que nos é contada e angustiante o perfil psicológico da sua personagem principal.
«Black Swan», de Darren Aronofsky, com Natalie Portman, Vincente Cassel, Mila Kunis e Winona Ryder
2.
«Pequenas Mentiras Entre Amigos»
Eles são um grupo de amigos entre os trinta e os quarenta anos. Uns vivem relacionamentos que já conheceram melhores dias, outros são casados e até têm filhos. Aparentemente felizes, quando à noite as luzes se apagam vêm ao de cima a fragilidade e desorientação de que são afinal vítimas. Para rir muito e chorar ainda mais e o cinema como celebração da vida. Indiscutivelmente, um dos grandes filmes de 2011.
«Les Petits Mouchoirs», de Guillaume Canet, com Marion Cotillard, Benoît Magimel, Gilles Lelouche, Laurent Lafitte e François Cluzet
3.
«Drive – Risco Duplo»
Porque a vida nem sempre é como a queremos viver e é possível o sacrifício por amor, porque o rosto sereno e aparentemente tranquilo de um homem pode esconder o âmago mais inquieto e as aparências iludem, porque a vida tem que ser vivida ainda que estranhemos os labirintos para que ela nos empurra e perante esse fatalismo a redenção pode significar perda e sofrimento, «Drive – Risco Duplo» é para mim a mais reconfortante surpresa nas estreias de cinema em 2011.
«Drive», de Nicolas Winding Refn, com Ryan Gosling e Carey Mulligan
4.
«A Árvore da Vida»
Numa viagem à América do pós-guerra e num Texas bucólico, os O’brien dividem-se entre um pai disciplinador, uma mãe doce e três crianças meio à deriva. Mas eles e nós também somos filhos, pais, seres que habitam este universo numa espécie de trânsito para a morte. Um universo onde vale bem mais acreditar que há tanto para viver até ao dia final ao invés de crer noutra vida esquecendo esta.
«The Tree of Life», de Terrence Malick, com Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain
5.
«Hereafter – Outra Vida»
«Hereafter – Outra Vida» é um filme que promete falar da morte mas que opta por dissertar sobre a vida. Uma história, ou um mosaico de histórias que se cruzam na estranha capacidade sensorial de um homem que se preocupa mais com o indivíduo e com os seus mais profundos dilemas que com a sociedade em que este possa estar inserido. E nesta espécie de conspiração do silêncio que une as personagens numa narrativa sóbria mas que nos oferece uma espantosa recriação do maremoto ocorrido no Índico há um par de anos atrás, emerge um actor extraordinário numa interpretação paradoxalmente humilde e cintilante pela sua extrema sensibilidade: Matt Damon.
«Hereafter – Outra Vida», de Clint Eastwood, com Matt Damon
6.
«Indomável»
Goste-se ou deteste-se, ninguém fica indiferente ao cinema de Joel e Ethan Coen. E o sentido de humor aliado à qualidade do texto assente em diálogos vivos e inteligentes prova que mais do que nos deixar durante dias e dias a pensar nos seus filmes, estes servem sobretudo para que o espectador desfrute deles. E apesar do filme estar mais próximo do poema nostálgico que da comédia insana, «Indomável» também é assim. E, com inteiro merecimento, é também um dos ‘meus’ Dez Mais de 2011.
«True Grit», de Joel e Ethan Coen, com Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon e Josh Brolin
7.
«Um Método Perigoso»
A grande virtude do filme «Um Método Perigoso» é a de evidenciar que mais sedutor que perceber quais as complicações que levaram à doença psicológica, só mesmo a sagacidade mental de quem não pretende curar obrigando o doente a comportar-se através daquilo que o mundo espera dele, mas antes dar-lhe a perceber que apesar da sua aparente imperfeição há um lugar para si no mundo. E isso nunca através de um rótulo de anormalidade mas sim de aceitação da diferença.
«A Dangerous Method», de David Cronenberg, com Michael Fassbender, Keira Knightley, Viggo Mortensen e Vincent Cassel
8.
«Meia Noite em Paris»
«Midnight in Paris», no seu título original, marcou o regresso em grande estilo do génio de Woody Allen num argumento brilhante, numa fotografia esplêndida recheada de personagens radiosas deste e de outros tempos, personagens da nossa história, vultos de sempre. E embora «Meia-noite em Paris» seja apenas um pequeno filme deixa de o ser porquanto se vai agigantando em nós fazendo-nos crer nas potencialidades do sonho e na validade de perseguirmos a nossa felicidade sem medo de cortar amarras e quebrar regras. Entrada directa para a lista dos Dez Mais.
«Midnight in Paris», de Woody Allen, com Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Adrien Brody, Kathy Bates, outros
9.
«Num Mundo Melhor»
Porque Susanne Bier e o seu filme merecem e porque é mesmo verdade que os actores e actrizes europeus têm verrugas na cara, varizes nas pernas e nem todos frequentam o Health Club lá do sítio, ou seja, são pessoas como a maioria de nós e não como aqueles caralhos dos americanos que acordam já barbeados e bem penteados e não cheiram mal da boca.
«In a Better World», de Susanne Bier, com Mikael Persbrandt e Trine Dyrholm
10.
«A Casa dos Sonhos»
Jim Sheridan e Daniel Craig contribuíram de forma decisiva para o sucesso de um filme surpreendente e mal amado, «A Casa dos Sonhos». Até porque este não é um filme de terror clássico como aparenta, é, quando muito, sobre o terror que invade a mente humana e a molda sob um escudo protector. Um dos dez mais, na minha opinião.
«Dream House», de Jim Sheridan, com Daniel Craig, Rachel Weisz e Naomi Watts
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Castelos de cartas
Dizer que o cinema é o retrato fiel da vida, no caso desta crise económica mundial não passa de um lugar-comum mais gasto que o saldo dos cartões de crédito da generalidade dos portugueses. E quando o especulador Gordon Gekko, no filme «Wall Street», apresentava cada novo negócio como mais vantajoso que o anterior, se deslocava de limusina para as salas de reuniões de escritórios onde reinava a opulência, se usava de truques baixos e, de ego inchado, se ria das suas conquistas e se declarava a si mesmo um vencedor, ninguém deu importância à suspeita de que a maioria se regia pela mesma bitola no topo do mundo. E nós, meros peões neste jogo de artimanhas e enganos, cá em baixo. Provincianos, somos uns provincianos.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Reflexos
[a actriz Scarlett Johansson]
Pediram cafés e sentaram-se os três. Eles dois e ela, todos entre os trinta e os trinta e cinco anos. Aos impropérios que os dois homens trocavam, ela foi respondendo em silêncio. Quando pegou na chávena e a encostou nos lábios vermelhos, foi delicada sem parecer afectada. Parece-se com a Scarlett Johansson mas costuma atestar o Peugeout 307 azul marinho na Área de Serviço da A5 em Oeiras.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Conhecer cinema
Se há uma coisa que sempre me fez espécie desde que me alistei como cinéfilo desta vida e comecei a discutir e escrever sobre filmes, é a de constatar que quando questionados sobre quais são os filmes da sua vida grande parte dos jovens cita obras já quase centenárias, passe o exagero. E desculpem o meu cepticismo mas parece-me que o fazem como se isso os legitimasse como experts na matéria. Estão no seu direito, claro, mas tem sido feito muito e bom cinema nos últimos anos e perceber isso é tão importante como conhecer os filmes que marcam a história da 7ª arte.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Sede de protagonismo
Há tempos ressuscitei da minha [curta] colecção de filmes em DVD um título do já distante ano de 1995, «Disposta a Tudo», de Gus Van Sant. Para os mais dedicados a estas coisas do cinema será redundante lembrar que este filme valeu na altura um Globo de Ouro à então quase desconhecida Nicole Kidman. O filme resume-se, e já não é pouco, a uma comédia negra tão cativante quanto especulativa do poder e do fascínio da televisão sobre o cidadão comum. A nossa bem conhecida Nicole Kidman é Suzanne Maretto, uma mulher perigosamente sedutora obcecada em tornar-se uma vedeta da TV e Gus Van Sant assentou a história numa encruzilhada de perspectivas importadas pela sua realização de cada uma das personagens.
A título de curiosidade, para além de Kidman o filme conta ainda com a presença dos jovens actores Matt Dillon, Joaquin Phoenix e Casey Afleck. E é curioso verificar a ascensão distinta de cada um deles 13 anos depois. Enquanto Nicole Kidman e Joaquin Phoenix seguem de vento em popa numa caminhada fulgurante para a eternidade, Casey Afleck parece ter recebido um novo fôlego com a sua participação em «The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford» (2007) . Já a Matt Dillon parece faltar sempre um pequeno golpe de asa para se guindar a um patamar superior no firmamento estelar de Hollywood. Quanto ao tema do filme, o fascínio pelo mediatismo da televisão pese o passar dos anos parece manter-se tão actual agora como já o era então.
sábado, 11 de junho de 2011
Por um mundo bem melhor
Confesso que não me apetece escrever muito e ainda menos me apetece escrever uma crítica com cabeça, tronco e membros sobre «Num Mundo Melhor» que, como sobejamente sabem, é o filme dinamarquês que arrancou o Oscar deste ano na gala de Hollywood relegando o feioso «Biutiful» para o merecido ocaso e fazendo da sua realizadora, a também dinamarquesa Susanne Bier, uma espécie de mulher gelatina na altura do discurso de agradecimento tão nervosa estava a senhora.
Mas acontece que mesmo em filmes sofríveis, como é este «Num Mundo Melhor», o cinema europeu tem o condão de fazer filmes para um público adulto [e este “adulto” nada tem a ver com a idade dos que vêem cinema] ao mesmo tempo que aproxima a ficção tão sensivelmente da realidade que pelo menos uma certa sensação de satisfação permanece em nós já depois do seu visionamento. E isto ainda que tenhamos consciência que faltou ali algo. Um porra, um foda-se, sei lá, qualquer merda que aproxime ainda mais o cinema do nosso vai e vem [disse bem, vai e vem] por cá.
Vejam bem, eu nem sequer sou anti-cinema de sítio algum e muito menos dos americanos já que sou pobre mas não sou mal agradecido e da América vieram muitos dos filmes que me fizeram sonhar. Mas talvez seja essa a grande diferença dos europeus versus americanos já que se estes últimos nos fazem sonhar, os primeiros rapidamente nos fazem acordar e, se necessário, borram-nos a cara de esterco envergonhados pelo mundo que mesmo que por omissão ajudámos a criar. E a verdade é que os actores e actrizes europeus têm verrugas na cara, varizes nas pernas e nem todos frequentam o Health Club lá do sítio. Em suma, são pessoas como a maioria de nós e não como aqueles caralhos dos americanos que acordam de manhã já barbeados e bem penteados e não cheiram mal da boca. O diabo que os carregue.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O sobrinho de John Lennon
No filme «London Boulevard – Crime e Redenção», Danny, um bandido de 5ª escala dos subúrbios londrinos numa personagem corporizada pelo actor Stephen Graham, está num pub abraçado a uma prostituta e pergunta-lhe se esta se interessa por música e pelos Beatles em particular. Perante a resposta afirmativa da mulher, Danny faz o mais normal nestes ambientes, suponho, e mente-lhe afirmando ser sobrinho de John Lennon. O pormenor fez recordar-me há uns anos atrás na cerimónia de lançamento de um livro quando, apresentado a uma fervorosa adepta de tudo o que é movimento cívico, resolvi brincar no intuito de quebrar o gelo dizendo-me colaborador da AMI o que, de facto, não era nem nunca fui e de imediato esclareci. O que eu estava longe de imaginar na altura é que o próprio criador desta meritória associação anos mais tarde se iria usar do seu feito, sem qualquer pudor, para obter privilégios pessoais e políticos num acto que se não roça a imoralidade certamente destrói todo um prestígio que levou anos a criar.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
domingo, 27 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
O génio do mestre
Eyes Wide Shut
O Dr.Bill [Tom Cruise] segue incapaz de se deter na sua ânsia de transgressão. Acaba num enorme e sumptuoso palacete onde decorre uma cerimónia profana e os sacerdotes se mascaram procurando, talvez, esconder a sua vergonha. Tentam-se sensações limite quando tudo já não basta. Belas mulheres ostentando corpos causadores de desejo profundo deambulam pelas salas num passo irrepreensivelmente elegante. Vem-nos à memória a "Vénus" de Botticelli. Nas cenas de orgia imaginamos um ritmado bailado clássico. A música divide-nos entre uma ópera clássica ou música de câmara de inspiração céltica. Tudo se assemelha a um grandioso espectáculo erudito e a senha que o Dr.Bill é obrigado a fornecer à segurança remete-nos para isso mesmo. Através de Fidelio, a única ópera composta por Beethoven.
Momentos de fulgor do mestre a que nos apetece simplesmente agradecer. Não apenas pelo desfilar de lindíssimas mulheres ou pelo rigor da encenação, mas sobretudo pelo excelente e inolvidável momento de cinema.
segunda-feira, 14 de março de 2011
A realidade a copiar a ficção?

«[…]No termo deste encontro esgotante, Kichizo deixar-se-á estrangular pela sua companheira que o castra num gesto último de mortificação.»
Excerto da sinopse de «O Império dos Sentidos», de Nagisa Oshima, Japão, 1976, in «Os Filmes Chave do Cinema», de Claude Beylie
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Óscares 2011: O cair do pano
A festa
Baixou o pano sobre a cerimónia no Kodak Theatre e a sensação maior que paira na generalidade dos espectadores e cinéfilos de todo o mundo é a de que a montanha pariu um rato. Honestamente, espero que os chamados blogues cor-de-rosa tenham muito a escrever sobre os vestidos das convidadas porque no restante da festa o marasmo foi quase total. E este quase para não ser mesmo total tem somente a ver com as aparições de uma Scarlett Johansson sensual e sedutora, de Kirk Douglas a tentar fazer humor aos 94 anos, do sempre competente Billy Cristal que já apresentou a cerimónia dos Óscares por oito vezes e das vitórias de Natalie Portman, Colin Firth e Christian Bale nas categorias para que estavam nomeados.
Previsibilidade e conservadorismo
Não é novidade para quem quer que seja o conservadorismo da Academia de Hollywood e, pessoalmente, a prova disso mesmo está na aposta que fiz nos vencedores da noite. De facto, ter acertado sete em dez nomes e os falhados dizerem respeito ao Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Filme Estrangeiro [aqui, ainda só tinha visto o desgostoso «Biutiful» e foi nesse que apostei] só pode mesmo significar previsibilidade dos senhores que votam para os prémios e não qualquer capacidade especial minha para a adivinhação.
Os premiados
Assim, com os Óscares de Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor e Melhor Argumento Original «O Discurso do Rei» foi o vencedor da noite. Também com quatro Óscares, todos eles técnicos, «A Origem» acabou por ver premiada uma pequena parte do excelente trabalho da sua equipa, enquanto «A Rede Social», de David Fincher, para além de Melhor Argumento adaptado levou mais duas estatuetas para casa, ambas também técnicas. De salientar apenas os dois Óscares de interpretação atribuídos a «The Fighter: Último Round», os de Melissa Leo, previsível mas questionável, e de Christian Bale, merecido pese a concorrência valorosa de Geoffrey Rush. No restante, dizer apenas que Tom Hooper [Melhor Realizador por «O Discurso do Rei»] ao olhar para os outros realizadores nomeados e para o trabalho que estes fizeram nos filmes que os levaram na noite de 27 ao Kodak Theatre, ainda hoje se deve estar a perguntar o que faz aquele troféu lá por casa e que, mesmo estando brilhante em «O Discurso do Rei», Colin Firth ainda o tinha estado mais na sua nomeação anterior por «Um Homem Singular». Já Natalie Portman teve o papel da sua vida, apesar da sua juventude, e Christian Bale voltou a provar que é um dos melhores da actual geração de actores norte-americanos encarnando visceralmente uma personagem que nem sequer é de ficção já que ainda vive algures em Lowell, Massachusetts.
Dois baldes de água fria
E os Óscares de Lata vão para… James Franco e Anne Hathaway, os apresentadores. Sem carisma, sem chama e sem perfil para a função foram uma autêntica nulidade. Não é por acaso que apesar da sua presença na audiência, o fantasma de Hugh Jackman continua a pairar sobre o Kodak Theatre. Nos últimos anos, Wolverine, ou o australiano, foi o melhor entre os seus que a Academia nomeou para apresentar a sua própria festa. Mas que ninguém desanime, para o ano há mais.
[Natalie Portman em «Cisne Negro», o papel de uma vida]
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Óscares 2011: Preferências e Prognósticos
A poucas horas do início da cerimónia da entrega dos Óscares de 2011, deixo aqui a minha opinião e alguns vaticínios.
Melhor Filme
Sinceramente não me parece que «O Discurso do Rei» vença. Creio que está na altura de celebrizar os feitos da América num mundo actual e globalizado onde as redes sociais têm um impacto cada vez maior pelo que julgo que «A Rede Social» pode muito bem arrebatar o troféu. Se fosse eu a escolher sentir-me-ia dividido entre vários deles mas entregava a estatueta a «Cisne Negro».
Melhor Realizador
Aqui o meu preferido é, por via do que escrevi anteriormente, Darren Aronofsky [«Cisne Negro»]. No entanto aposto na vitória de David Fincher [«A Rede Social»].
Melhor Actor
Há dois homens claramente mais merecedores deste prémio, Colin Firth [«O Discurso do Rei»] e Jeff Bridges [«Indomável»], mas o actor inglês desta vez vai vencer e eu acho muito bem.
Melhor Actriz
Nesta categoria, este ano temos uma mera formalidade para entregar o mais que merecido Óscar a Natalie Portman [«Cisne Negro»]. E eu aplaudo, claro.
Melhor Actor Secundário
Aqui, confesso, divido-me entre duas interpretações. As de Geoffrey Rush em «O Discurso do Rei» e de Christiane Bale em «The Fighter». Ficaria contente com qualquer um a vencer e creio mesmo que Bale desta vez vai subir ao palco do Teatro Kodak.
Melhor Actriz Secundária
Se houvesse justiça neste mundo, a pequena Hailee Steinfeld [«Indomável»] não teria que esperar mais para levar o prémio da Academia de Hollywood para casa. Como o mundo não é justo, aposto que os senhores da Academia o irão entregar a Melissa Leo [«The Fighter»].
Melhor Argumento Original
O argumento de «A Origem» é fenomenal e aquele que escolheria, mas parece-me que aqui o Óscar irá para «O Discurso do Rei», até como forma de compensação se o meu raciocínio de entrega dos prémios estiver correcto.
Argumento Adaptado
Nesta categoria, a entrega do prémio seria outra mera formalidade com o trabalho realizado pela equipa de «Indomável». Mas não deverá ser uma formalidade, deverá mesmo ser uma entrega muito renhida, e creio que «A Rede Social» vai somar aqui mais um amigo de nome Óscar.
Melhor Filme em Língua não Inglesa
Não tenho preferências nesta categoria nem simpatia pelo filme, mas creio que «Biutiful» sairá recompensado pelo claro descrédito que demonstra na espécie humana.
Melhor Filme de Animação
«O Mágico» é um filme de uma inacreditável magia. Apesar disso, «Toy Story 3» deverá ser feliz e arrecadar o troféu.
A melhor cerimónia a que assisti nos últimos anos foi apresentada por um australiano, Hugh Jackman. Esperemos que a nova-iorquina Anne Hathaway, para quem «O Amor é o Melhor Remédio», e o californiano James Franco, este já com a prótese depois de ter cortado o braço em «127 Horas», possam superar a brilhante performance de Jackman na maior festa de cinema do ano.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Medo no cinema
Agarrados à Cadeira na Sala Escura do Cinema
Há tempos a revista Actual, do Expresso, apresentou-nos um interessante trabalho sobre o horror no cinema. Que é como quem diz, sobre os filmes de terror. Confesso que não considero este como um género menor do cinema tal como se escreve no texto da publicação, mas, neste caso particular dos filmes de terror, as minhas exigências enquanto espectador são muito mais elevadas que noutros géneros mais populares, mais próximos de nós, do nosso quotidiano. Isto porque é imperioso que sinta um vislumbre de veracidade na história que se desenvolve na fita muito para além dos aspectos conceptuais da realização. Estes que podem ir desde a excelência dos dècors – que são, claro, essenciais no género cinematográfico – ou da perfeição na caracterização dos actores – também um aspecto fundamental para o sucesso de um filme de terror. Significa isto que um filme de terror que alcance uma consistência dramática capaz de libertar a porção correcta na mistura de tensão e medo no espectador, possui desde logo duas características fundamentais para se tornar num bom filme do género. Mas estas duas não sobrevivem sem uma outra especificidade: a capacidade de atingir uma dimensão de verosimilhança com a realidade ou do que pode estar para além dela. Claro que a tudo isto o meu amigo António Pascoalinho – um dos maiores se não o maior especialista de filmes do género em Portugal – responderia com um enorme bocejo. Mas, reconheço, até pelo que foi dito atrás, estou a quilómetros do seu gozo especial em 'molhar a sopa' nos jorros de sangue que fazem as delícias dos grandes fanáticos do género em que outro amigo, o Filipe Lopes, também se inclui.
Com honrosas excepções, quase todos eles fazem parte da lista que o Expresso disponibiliza no referido trabalho. Mas eis a minha relação de melhores filmes de terror da história do cinema. Fora desta lista ficam sequelas e personagens míticas como o Conde Dracula, Frankenstein, Freddy Krueger (Pesadelo em Elm Street), Jason Vorhees (Sexta-feira 13), Allien e outros. Por outro lado, dada a sua dimensão trágica e humanista numa figura inumana, Nosferatu (1922), de Murnau, ocupa um lugar de destaque numa listagem restringida aos melhores. Na minha modesta opinião, claro.
Há tempos a revista Actual, do Expresso, apresentou-nos um interessante trabalho sobre o horror no cinema. Que é como quem diz, sobre os filmes de terror. Confesso que não considero este como um género menor do cinema tal como se escreve no texto da publicação, mas, neste caso particular dos filmes de terror, as minhas exigências enquanto espectador são muito mais elevadas que noutros géneros mais populares, mais próximos de nós, do nosso quotidiano. Isto porque é imperioso que sinta um vislumbre de veracidade na história que se desenvolve na fita muito para além dos aspectos conceptuais da realização. Estes que podem ir desde a excelência dos dècors – que são, claro, essenciais no género cinematográfico – ou da perfeição na caracterização dos actores – também um aspecto fundamental para o sucesso de um filme de terror. Significa isto que um filme de terror que alcance uma consistência dramática capaz de libertar a porção correcta na mistura de tensão e medo no espectador, possui desde logo duas características fundamentais para se tornar num bom filme do género. Mas estas duas não sobrevivem sem uma outra especificidade: a capacidade de atingir uma dimensão de verosimilhança com a realidade ou do que pode estar para além dela. Claro que a tudo isto o meu amigo António Pascoalinho – um dos maiores se não o maior especialista de filmes do género em Portugal – responderia com um enorme bocejo. Mas, reconheço, até pelo que foi dito atrás, estou a quilómetros do seu gozo especial em 'molhar a sopa' nos jorros de sangue que fazem as delícias dos grandes fanáticos do género em que outro amigo, o Filipe Lopes, também se inclui.
Com honrosas excepções, quase todos eles fazem parte da lista que o Expresso disponibiliza no referido trabalho. Mas eis a minha relação de melhores filmes de terror da história do cinema. Fora desta lista ficam sequelas e personagens míticas como o Conde Dracula, Frankenstein, Freddy Krueger (Pesadelo em Elm Street), Jason Vorhees (Sexta-feira 13), Allien e outros. Por outro lado, dada a sua dimensão trágica e humanista numa figura inumana, Nosferatu (1922), de Murnau, ocupa um lugar de destaque numa listagem restringida aos melhores. Na minha modesta opinião, claro.
3 - [The Birds (1963), de Alfred Hitchcock - Tese de doutoramento do mestre do 'suspense']
4 - [The Exorcist (1973), de William Friedkin - Possuída pelo demónio]
5 - [ The Fly (1986), de David Cronenberg - Apanhado nas teias do seu próprio desejo de evolução científica]
7 - [Halloween (1978), de John Carpenter - Guiados no medo pelos olhos do impiedoso assassino]
8 - [Night of Living Dead (1968), de Georges A. Romero - A morte saiu à rua (numa noite assim)]
10 - [Jaws (1975), de Steven Spielberg - Medo e perturbação]
Subscrever:
Mensagens (Atom)



































.jpg)


