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sexta-feira, 20 de abril de 2012

O contador de histórias


[Turkey Pond, 1944 - Andrew Wyeth]




Não conheci até hoje melhor contador de histórias que o meu avô. Sentava-se no cadeirão de vime do varandim da velha casa disfarçada algures no interior das árvores da quinta e sentava-nos a cada um de nós, a mim e ao meu irmão, em pequenas cadeiras ao seu redor. Depois dava uma baforada no seu cachimbo e perguntava se nos lembrávamos do palácio em frente ao Tejo bem junto aos paredões da ponte ferroviária. Claro que nós não recordávamos o dito palácio pela simples razão de nunca ter havido algum por lá. E perante o nosso protesto, ele dizia-nos: ‘pois imaginem que existiam dois palácios, um em cada margem.’ E, muito calmamente, lá nos ia ajudando a edificar os pilares de como se conta uma boa história.




domingo, 13 de novembro de 2011

Marisa Monte


[Marisa Monte]






Numa das suas muitas canções de amor, a brasileira Marisa Monte murmura a certa altura que ‘seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus.’ E eu a isto só tenho a dizer duas coisas. Primeira, perguntar por que carga de água clama a Marisa Monte por Deus numa situação como a que sugere, e, segunda, lembrar a mim mesmo que a Marisa Monte me foi um dia apresentada [a sua música, para que conste] por uma das mulheres mais fantásticas que tive a felicidade de conhecer. Para mim é mais que isso, para vocês este texto  fica apenas como um mero registo biográfico.


domingo, 26 de junho de 2011

Retratos do artista quando jovem

[Eric Fischl, 1983]





Ainda eu rasgava o fundo dos calções por me empoleirar no ramo das árvores da quinta do meu avô quando tive a minha primeira paixão com final nada feliz. O pai dela era militar de carreira e a família andava sempre de malas às costas. Tinham chegado naquele ano à cidade e no início a minha timidez mais não permitia que falar-lhe dos assuntos que as razões escolares obrigavam. Ainda hoje recordo que quando ela se ria os seus olhos ficavam ainda mais brilhantes que o habitual e todo o seu rosto se abria numa luminosidade que me fascinava e eu ficava a olhá-la embasbacado e a sentir que era capaz de ficar horas a fio a contemplá-la. Apesar disso, fazia-o sempre muito discretamente para que não percebesse o meu interesse.
Como a casa dos meus avós não era muito longe da escola tendo apenas que serpentear através de um atalho de terra batida que ladeava um campo de oliveiras, fazia o caminho de regresso a pé. Até que um dia sucedeu o milagre e ela veio ter comigo. Linda como sempre, parou à minha frente e ignorando o rubor nas minhas faces perguntou-me se eu caminhava sempre sozinho depois de terminarem as aulas. Lembro-me de ter balbuciado um sim atrapalhado e quase inaudível. Mas a partir de então o mundo tornou-se melhor, mais alegre, mais feliz.
Apesar de frequentarmos apenas o sexto ano, ela parecia ter opinião sobre tudo. Tão depressa era discreta e terna como logo a seguir teórica e plena de vivacidade. E eu ali a tentar retorquir, a esbracejar parecendo dizer sim com uma mão e não com a outra. Para minha desgraça o ano escolar terminou, vieram as férias e no ano seguinte ela já não apareceu. Tentei saber o que acontecera e descobri que os pais se tinham separado e ela partira com a mãe para Viseu, terra onde viviam os seus avós maternos. Parece-me agora óbvio que apesar das suas ideias inflamadas sobre o mundo, fora o seu pequeno mundo familiar que desabara. E durante alguns meses, talvez tempo demais para uma criança de doze anos, tive de esperar que aquele amor desistisse de mim porque eu não me sentia capaz de desistir dele.





quarta-feira, 22 de junho de 2011

Hoje vou citar-te



Passou já muito tempo, mas foi das coisas mais bonitas que alguma vez me disseram. Involuntariamente ela citou Carlos Drummond de Andrade. «És apenas uma foto no meu telemóvel, mas como brilhas, como dóis.»

terça-feira, 21 de junho de 2011

A filha da fortuna






Olhei para a rua iluminada pelos quentes raios de Sol do primeiro dia de Verão e surpreendeu-me o bairro humilde de Lisboa. A casa onde toquei a campainha do primeiro andar era num edifício de um bloco de apartamentos pouco condizente com a sua fama e condição económica, suponho. Era esperado e não estranhei que não perguntassem quem tocava quando ouvi o zunir da fechadura de abertura automática da porta da rua. Ao deparar com a mulher que escreveu em jornais e vendeu já milhares de livros, quase me esquecia de a cumprimentar. Durante mais de duas horas conversámos muito. Sobre nada mas sobretudo de livros. E de cinema, claro. Ainda me recordo do seu olhar a perscrutar-me do alto do seu metro e sessenta e muitos e da sabedoria de uma vida de mais de setenta anos certamente bem vividos. «Que idade tem?», perguntou-me. Disse-lhe a minha idade que ela repetiu parecendo questionar a veracidade da minha resposta. Joguei à defesa: «depreendo parecer mais velho aos seus olhos!?» «Não, nada disso…», sorriu. «…é que é pela sua idade quando a vida começa realmente». Foi a minha vez de sorrir, aquela mulher tinha de facto muitas histórias da vida dentro de si. Por mim ter-me-ia deixado ficar por lá a conversar sem tempo nem hora. Mas como não levara a escova de dentes e o pijama, voltei. E aqui estou eu a recomeçar este blogue exactamente no sítio onde o tinha deixado ficar em ponto morto.




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Let the games begin




A modelo fotográfico Iga A. Gosto de a ver trabalhar.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Escrever bem ou a viagem





Eu gostava de saber escrever bem. De pegar num papel e numa caneta, ou no meu computador, e deixar que as letras dancem no papel ou no ecrã dando-se as mãos e fazendo palavras, construindo frases, provocando emoções e deixando falar a razão. Mas não, eu não escrevo bem. E se alguém gostar do que escrevo não é da minha escrita que gosta. Lobo Antunes tem um estilo de escrita, Saramago teve o dele, eu apenas junto letras em palavras, formo frases, descrevo emoções ou partilho razões. Como aquele filme que vi ou a invulgar história do João Ferro, como o teu rosto que há tanto tempo não beijo, como aquela menina que fez um desenho para dar à professora emocionada, como aquela mulher que correu a esconder-se em definitivo no seu mundo e abandonou o ginásio que ambos frequentávamos... Eu gostava de escrever bem mas não escrevo e daí a minha ausência deste blogue. Os filmes têm sido fracos, de ti já nada sei, a menina cresceu, a linda mulher que se exercitava lá no ginásio deixou de o fazer, do João Ferro já falei. Aos outros, a ti, a ela e a eles, a vocês, que me desculpem andar sempre em viagem e vir pouco cá a casa. Talvez se eu soubesse escrever e não apenas descrever emoções e razões tudo pudesse ser diferente.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sim...

[Imagem FB da Casa das Letras]





...ainda ando algures por aqui. Obrigado por perguntares.





quinta-feira, 24 de março de 2011

As regras do jogo



Comecei por acreditar nas causas dos outros. Mais tarde tornei-me um pouco rebelde motivado pela defesa dessas mesmas causas. Causas que foram perdendo força ao ritmo em que ia percebendo o seu lado menos interessante e pouco visível. Por essa altura, já eu era um rebelde sem causa. Depois inventei as minhas próprias causas e bati-me por elas que nem um perdido. Noutras alturas, em momentos de maior rebeldia, sentei-me um pouco e esperei que a turbulência passasse. Mas não há nada como a emoção de ir a jogo. Jogarei até ao meu último cêntimo.

sábado, 19 de março de 2011

A modelo fotográfico Iga A.

[Foto daqui.]



Gosto muito de a ver trabalhar.


terça-feira, 1 de março de 2011

A Náusea







Descontente com a vida, solitário e desenraizado, homem fisicamente feio e perdido no que considera o absurdo da existência, desgastado pela dúvida e pela consciência de si, historiador e biógrafo, assim descreve Jean-Paul Sartre a personagem principal do seu livro «A Náusea» (1938). Embora experimente alguma relutância ao confessá-lo, admito ter dias em que me sinto precisamente como Antoine Roquentin, o menino de que aqui se fala.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

SIC Homem

[A modelo fotográfico Iga A. - Gosto de a ver trabalhar]





Longevidade

Neste Domingo, enquanto aguardava pelo início da transmissão do jogo do Benfica com o Marítimo brinquei um pouco com o comando fazendo zapping de canal em canal. Sem perceber bem porquê, estanquei o passo na SIC Mulher a ouvir um tal de Dr. Oz. Dizia este médico que Oprah Winfrey, a diva da televisão americana, tornou famoso [entretanto fui tentar saber quem era o senhor], que a uma mulher que namore com um homem alguns anos mais novo que ela este não lhe acrescenta anos de vida. Pelo contrário, um homem que namore com uma mulher 17 anos mais nova [precisão científica], terá a sua longevidade acrescida em dez anos. Bom, passe a minha convicção de que a continuar a dar estas notícias a SIC Mulher em breve terá de passar a chamar-se SIC Homem já que a audiência feminina foge e é substituída pela masculina, por que será que ainda assim fiquei com a dúvida se esta era realmente uma boa notícia para os homens!? É que, convenhamos, será preciso suar as estopinhas e ter muito talento natural para arranjar uma namorada 17 anos mais jovem. Desenganemo-nos, homens, nem quando a ciência o determina nos é dado algo ou alguém de mão beijada. 



Noite dentro





Dormi muito, mesmo muito. Estava mais provocador que nunca, temerário como sempre, distribuía charme e classe como poucos, dividi-me na paixão pelas mulheres e no dever do combate ao crime à escala mundial. Por todo o lado as mulheres eram belas e sensuais, os criminosos feios e megalómanos mas eu era detentor da receita certa para as seduzir a elas e combater a eles algures entre um copo de Martini, um olhar apressado ao relógio Omega e uma ruidosa corrida ao volante do meu potente Aston Martin. Soube bem, muito bem, mas o despertador tocou e tive de me levantar para ir trabalhar.



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Word

[Rachel Weisz in «My Blueberry Nights - O Sabor do Amor»]




Suponho que tal como acontece com muitos homens, dias há em que sou surpreendido por um olhar meigo onde perco o meu, por um sorriso tímido que me aquece a alma. E à noite, normalmente à noite, sento-me ao computador e escrevo um texto condicionado pelas emoções do dia. E aquele olhar, aquele sorriso, aquela mulher, estão lá. São textos que ficam apenas para mim e que noutros tempos se perdiam como vulgares papeis espalhados algures no lugar a que chamo escritório ou entre os livros arrumados ou simplesmente empilhados nas estantes. Mas como não voltava a lê-los, como o passar do tempo aquele olhar, aquele sorriso, aquela mulher desvaneciam-se em mim. Agora tudo mudou com esses textos, aqueles que escrevia ao sabor do momento. Passei a encontrá-los de cada vez que abro o Word. E não, não  esqueci mais os olhares meigos, os sorrisos tímidos...


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Poupanças



Julgo já o ter escrito por aqui, tenho uma péssima relação com o dinheiro. Confesso comportar-me, neste aspecto particular, muito de acordo com o tipo de raciocínio que a minha mãe adopta de cada vez que vou lá a casa. Acusa-me sempre de levar uma imensidão de tempo a chegar e de nem aquecer o lugar para partir de novo. O que nunca disse aqui, penso, é que  em matéria de lucidez a minha mãe dá-me autênticas abadas. Mas voltando ao que me trouxe, o meu sonho de poupança está mais na linha dos críticos de cinema do Público, excepção feita ao Jorge Mourinha. Poupar tanto no meu dinheiro como aquela repartição do jornal poupa nas estrelinhas com que avaliam os filmes em cartaz. Até porque não há novidade nenhuma em dizer que esta coisa dos filmes é um pouco como na vida. Cada um é como é e certamente que não come aquilo de que não gosta. Gosto de cinema.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O estado da nação



Há dias, num jantar de trabalho, um advogado dizia-me que cerca de setenta por cento dos processos que chegam a tribunal são ganhos por erros processuais. Dito por outras palavras, e exemplificando, o que este meu conhecido queria dizer é que ao tribunal importa primeiro saber se os telefonemas que ajudaram a incriminar A que corrompeu B ou C que violou D poderiam ou não ter sido gravados pela polícia. Só então a justiça se debruça sobre o crime em si o que, no mínimo, deturpa as razões e o espírito por que um dia os homens decidiram criar as leis.
Estranho estado de direito, este. E não me interpretem mal, já sou crescidinho o suficiente para perceber que este não é um mundo justo e nada disto é novidade. Mas desculpem lá a minha falta de entusiasmo perante o estado geral a que este país chegou, justiça incluída.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Das minhas memórias

[Gerda, 1914, Ernst Ludwig Kirchner]






Herr Klaus


Durante a minha pré-adolescência vivi alguns anos longe de Portugal, embora não muito longe, na Alemanha pré queda do muro de Berlim, numa cidadezinha de serviços e perto de duzentos mil habitantes nas margens do Ruhr e a poucos quilómetros da grande Dusseldorf. Eu e a minha família habitávamos um apartamento, alugado, não muito longe da Rathaus (Câmara Municipal), da escola que eu frequentava e do centro da cidade. No prédio vivia também o proprietário, o grande de quase dois metros de altura, cento e cinquenta quilos de peso e já sexagenário Herr Klaus. Fui poucas vezes a sua casa. Mas das vezes que fui recordo a confusão de livros escritos em várias línguas espalhados no soalho e por todos os móveis existentes na sala e as latas de cerveja vazias e de comida em conserva nas embalagens meio cheias abandonadas numa cozinha imunda e malcheirosa. Para além de homem só, nunca percebi se viúvo, divorciado ou solteirão, Herr Klaus não era de muitas palavras. Recebia das mãos da minha mãe o cheque com o pagamento da renda e preenchia logo ali o recibo que comprovava o pagamento.
 
Por motivo da minha ingenuidade de criança a rondar os doze ou treze  anos, nunca percebera o corrupio de lindas e jovens mulheres ao ritmo de três, quatro por semana que lhe entravam pela casa dentro. Algumas vezes, quando as via entrar, deixava-me ficar sentado nas escadas de madeira (o edifício cinzentão de construção do pós guerra não tinha elevador) até que, na maioria das ocasiões para aí uma simples meia-hora depois, as via sair com uma expressão no rosto que estava longe de compreender mas que sabia não ser propriamente de felicidade. Mas que também não era de infelicidade. Circunstâncias houve em que me via obrigado a largar o meu posto de vigia, conduzido pela mão da minha mãe firme a agarrar-me a orelha até me colocar de castigo no quarto. Numa das tardes em que isso não aconteceu, recordo-me de uma das senhoras sair muito zangada perseguida por Herr Klaus e de, junto à soleira da porta do apartamento, lhe aplicar um valente pontapé nos testículos seguido de um sonoro schwein. Isto enquanto o senhorio do prédio se contorcia com dores. Já a mulher, linda como as demais, passou por mim e acariciando-me o queixo deu-me um beijo no rosto murmurando-me algo indizível que me deixou de faces acaloradas e mais vermelhas que um tomate maduro.
 
Julgo que foi a minha primeira e única paixão por uma mulher mais velha que eu. E a partir dali, juro-vos, a minha quase inexistente relação com Herr Klaus esfriou até ao ponto de deixarmos até de nos saudar sempre que nos cruzávamos nas escadas do prédio.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Almofada da justiça







Por razões profissionais, hoje tive de ir ao centro de Cascais. Depois de cumprir os afazeres que me levaram até perto da praça onde fica o restaurante Visconde da Luz, constatei que tinha um presente no pára-brisas: uma multa de estacionamento. Senti-me feliz, ó se senti. Caramba, afinal é sempre bom saber a competência com que a almofada da justiça actua em defesa do bem-estar da comunidade. Até porque não foi nada que me surpreendesse muito, dado que a autoridade já tinha tido para comigo gesto parecido na semana anterior. E por essa altura até tive direito a um curso intensivo sobre estacionamento irregular dado por uma senhora de farda azul escura vistosa franzida junto às nádegas e ar de quem sabia do que falava. No final da sessão, já despojado de uns quantos euros da coima, aguentei-me ao balanço e fiquei ali a rezar pela senhora polícia. A pedir por ela, a desejar-lhe coisas boas e estimulantes. É agradável desejar coisas boas e estimulantes aos outros, especialmente nestes casos. E lembrem-me, tenho que voltar rapidamente ao Centro de Cascais. É que às tantas a gente habitua-se às mordomias e já não consegue passar sem elas.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Rotina


[Woman Reading, 1916 -Max Weber]


No começo da semana que passou, segunda-feira chuvosa, fui ao médico. Não o meu médico habitual mas um outro, aconselhado por pessoa gentil e amiga. Era, afinal, uma médica. A rondar os sessenta anos de idade, muito atenciosa, profissional irrepreensível. Deitado sobre a marquesa, enquanto me auscultava ia falando. Fazia-me perguntas, queria saber coisas, buscava pistas. E no  decorrer do exame vários foram os momentos em que viajei até tempos remotos de mim mesmo. Alguma vez esteve hospitalizado? Perante o meu silêncio, insistia. Doenças na infância, na adolescência?...

E durante a consulta senti que a médica, nos seus cuidados e na forma doce como me falava, me trouxera a minha avó de volta. Ou a mim de volta a ela. Tive saudades, apeteceu-me deitar a minha cabeça no seu regaço e adormecer sobre as memórias que retenho do temperamento dócil da mãe da minha mãe. No final, um aperto de mão caloroso, uma troca amável de sorrisos e saí para a rua. Indiferente à tempestade, ergui as faces para o céu carregado e refresquei-me na água da chuva que, conjuntamente com o frio que faz, teima em fazer também deste um Inverno dos antigos.



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O dia do juízo final





Na maior parte das religiões acredita-se no dia do juízo final. Talvez esse dia exista mesmo. Afinal vivemos a crédito e no fim alguém nos irá cobrar a dívida que contraímos por cada dia que por cá andámos. E neste aspecto certas religiões funcionam como vulgares seguradoras espalhando a fé no seu deus como quem vende apólices. Acho isto execrável. Mas, pelo sim pelo não, Domingo vou à missa das onze.