domingo, 31 de outubro de 2010

A inconstância do homem



[Reflection of the Big Dipper, Jackson Pollock, 1947

- Sedelijk Museum, Amsterdão, Holanda]



O ser humano é insatisfeito por natureza. Mais ainda quando procura alcançar um objectivo que lhe está na essência, lhe rasga a alma e condiciona o comportamento em sociedade e este lhe foge constantemente. Não é invulgar este homem – ou mulher – buscar a satisfação que não sente no fundo de uma garrafa de vinho, de Whisky ou de outra bebida qualquer. Quanto mais graduada melhor. Apontado a dedo pelo seu semelhante, o indivíduo torna-se problemático, cai em depressão, sente-se perdido. Mas continua apaixonado, fervorosamente apaixonado. E perseverante entre intermitência e vacilações, oscilação e corridas na mais completa escuridão existencial. Amante desregrado e louco salta de cama em cama, procura no amor, no amor físico, transpirado, voluptuoso, o que não encontra na vida em geral. Conduz perigosamente, magoa os que lhe estão próximos, ama sem conseguir demonstrá-lo, chora, grita, desespera, enfurece-se e explode. E nesse labirinto de emoções e comportamento excessivo, descuidado, nos destroços dessa explosão, encontra a sua arte. Foi assim Jackson Pollock.






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