terça-feira, 12 de outubro de 2010

A MALDIÇÃO DO ESCORPIÃO DE JADE







      A RECUSA À PRETENSÃO COMO ARMA DE SEDUÇÃO
     
      Como é agradável sentirmos, no final do filme, aquela empatia especial por um homem pequenino, de chapéu suportado pelas orelhas grandes, gabardina dois ou três números acima do seu, olhos esbugalhados e um matraquear infindo de um palavreado que resulta em hilariante discurso. Woody Allen gosta de filmes onde se desenvolva o romance, a intriga. Woody Allen é um autor cinematográfico honesto consigo próprio e que prefere, por isso mesmo, escrever e filmar sobre o que o motiva. E motivam-no também o Jazz e Nova Iorque, a sua cidade de sempre. Nada como adicionar a isto o ambiente típico vivido nos filmes da época do actor que o fez vibrar, Humphrey Bogart. E Woody Allen também gosta de mulheres. E de ficar no final com elas. Mas o realizador não é, nunca foi, pretensioso. E, se sempre percebeu muito bem quais eram as suas eminentes qualidades, teve sempre a lucidez e humildade necessárias para perceber, sobretudo, quais as suas limitações. E percebeu também que em cinema, especialmente nestas coisas da sedução romântica, muito mais que sê-lo, há que parecê-lo. Como à mulher de César. Sendo assim, inteligente e arguto como poucos, Allen sabe que a única forma de ser e protagonizar tudo isto sem arruinar e sequer colocar em causa essa credibilidade, é fazer as coisas ao ritmo de uma comédia, sendo cáustico e impiedoso sob a forma de laracha. E ele, Woody Allen, é a principal vítima dessa característica tão conveniente, é certo, mas tão brilhantemente aplicada, há que reconhecer. E «A Maldição do Escorpião de Jade» é tudo isto. Sem tirar nem pôr.
     
      Passemos vagamente o olhar pela sinopse: na seguradora North Cost há um investigador altamente produtivo mas de métodos tradicionais e algo peculiares. Ele é C. W. Briggs, ou seja, Woody Allen. Uma mulher é contratada para modernizar e tornar eficiente a empresa. Ela, Betty A . Fitzgerald (Helen Hunt), também é amante do patrão. Ele e ela hostilizam-se, são vítimas depois de um hipnotizador sem escrúpulos, acabam apaixonados um pelo outro no final. Pelo meio dão-se ainda alguns roubos de jóias, acontecem acusações e encontros e desencontros amorosos, efectiva-se a trama simples mas eficaz.
     
      Da forma como vejo as coisas, não enjeitando princípios e buscando justiça na minha análise pessoal, tenho que concluir que «A Maldição do Escorpião de Jade» é um filme irrepreensível na sua feitura. Não, não é um filme particularmente empolgante, sim pode-se não gostar de evocações ostensivas do filme negro de época. Mas, não tenhamos quaisquer dúvidas a propósito – permitam-me a convicção com que faço a afirmação -, para além de gostos pessoais e opções cinematográficas de cada um, este é um filme altamente competente, altamente profissional. Eu, que nem sequer sou um especial admirador de Woody Allen, fiquei rendido à rica criatividade dos diálogos, à inteligência com que as coisas se vão desenvolvendo ao longo da fita. E, dando mais consistência à minha teoria acerca da perfeição deste produto fílmico, existe ainda um valioso naipe de actores secundários que completam o duo de protagonistas, protagonistas esses que estão longe de arcarem sozinhos com a responsabilidade total nos inegáveis méritos do filme. Méritos inegáveis, repito, mesmo reconhecendo que se trata de uma comédia ligeira, que não passa de um filme muito simples.

1 comentário:

Andrea Pérez Ulloa disse...

Woody Allen sempre me pareceu muito bom em dirigir filmes, eu também gosto de agir sobre eles. O que eu mais gosto é que ela coloca um toque cômico ao que ele faz, eu não me canso de ver seus filmes. No que diz respeito à questão da hipnose, é um assunto que desperta grande interesse me, levou-me a realizar uma pesquisa e atender O Hipnotizador, uma série da HBO, onde grande ator argentino argentino Leonardo Sbaraglia , reconhecido internacionalmente fora.