quinta-feira, 14 de outubro de 2010

OS PRODÍGIOS

      
     


Um professor universitário que é um escritor esquecido da objectividade literária, que vive uma crise conjugal e tem problemas com alguns alunos e também com a sua amante; um aluno demasiado imaginativo até com a sua própria vida, de olhar difuso e objectivos revelando insanidade; um editor com um certo toque de classe e tão assumido como falso no seu aspecto "négligé"; um cão assassinado por uma arma que afinal era verdadeira e deambulando entre uma espaçosa mala de carro e uma cama de adolescente; um livro que o vento e as águas do rio levarão nas suas bem mais de 2000 páginas sem fim à vista, sem trama definida;
     
      «Prodígios» é um filme feito de simplicidade e apelando mesmo a ela, realizado com um rigor e segurança assinaláveis, não descurando os aspectos técnicos e de que é exemplo disso a sua belíssima fotografia, assente em pilares culturais relevantes arriscando mesmo a crítica implícita ao mundo editorial americano, demonstrando como se pode negociar uma publicação onde a qualidade intrínseca da mesma se revela de plano secundário (refiro-me à publicação da obra do reitor em troca de algumas cedências deste em matérias sem paralelismo no facto).
     
      Se acrescentarmos que Michael Douglas é o escritor meio perdido, que Tobey Maguire é o aluno levemente insano e que Robert Downey Jr. corporiza o editor "négligé", todos em muito boa forma, então temos a receita completa para um excelente e injustiçado filme deste início de século.

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